quinta-feira, maio 25, 2006

quinta-feira, maio 18, 2006

A Passadeira Vermelha

Alertada pela “má-língua” de duas boquinhas que ultimamente não fazem outra coisa senão bajular “a patroa de Ponta Delgada”, senhoras de seus nomes; Maria Corisca e Tia Maria de Nordeste, a Aninhas Boca à Berta foi no último fim-de-semana a Santa Clara visitar as primas BertasRefilonas, tendo aproveitado para ver o que já havia de Vida Nova para aquelas bandas.

Muito gostou ela do que viu. “Vive-se um outro ar em Santa Clara” confessou a Aninhas Boca à Berta a todos os parentes e aderentes que foi encontrando pelo caminho.

- “Quem é que pode falar mal das obras da Avenida Príncipe do Mónaco?”,

Perguntou ela em tom de desafio a uma prima, meia ranhosa, que, intoxicada por umas almas penadas que andam a dizer pelos cantos que aquilo podia ter uns passeios como os da Avenida Marginal, lhe repetiu a lengalenga.

- “Até podiam colocar lá uns passeios de mármore. Mas só agora? Só depois destes anos todos de marasmo terem por fim feito alguma coisa em Santa Clara, é que vêm dizer que podia ser melhor. Claro que depois de algo estar feito, alguém diz que pode sempre ser melhor!” - Arrematou com paixão!

- “Porque é que estes maldizentes, em vez de falarem mal, não exigem que a Câmara Municipal também faça o que lhe compete; por exemplo, arranjar a 2º Rua de Santa Clara onde ainda hoje eu ia partindo uma perna num dos muitos buracos que aqueles passeios têm!”

As primas calaram-se logo. Sabem que a Tia Aninhas Boca à Berta quando lhe sobem os azeites ao nariz, tendo razão (como é o caso), ninguém mais a cala!


terça-feira, maio 09, 2006

O tempo dirá...


Segundo o expresso na folha dominical A Palavra, de 11 de Fevereiro de 2006, aqui nascerá uma "surpresa, sob o ponto de vista estético" fruto de um "ambicioso projecto já concluído pela Câmara Municipal". O terreno pertence à paróquia de Santa Clara (oferta da Santa Casa da Misericórdia), esperemos que, desta vez, a obra consumada seja entregue aos santaclarenses.

terça-feira, maio 02, 2006

As araucárias da "Mata da Doca"

Cerca de meio século depois de, com a implantação dos “Tanques do Óleo” na Ponta das Aringas (“dos Algares” como lhe chamou Gaspar Frutuoso, ou “do Salteio” como é conhecida em Santa Clara), o “progresso” ter destruído as “bocas” dos algares que ali, em tempo anterior ao povoamento dos Açores, haviam despejado espessas ribeiras de lava, foi cometido mais um, o segundo, grande atentado contra o património natural e ambiental de Santa Clara.
Em 1963, com o início do processo que haveria de, mais uma vez a pretexto do armazenamento de combustíveis, instalar em Santa Clara os depósitos da POL NATO, foi dado o decisivo passo para a, posterior, quase total condenação à morte, do Parque Dinis (Moreira) da Motta, vulgo “Mata da Doca”!

Tal como, sob os “Tanques do Óleo”, hoje, jazem destruídas as duas enormes “bocas” dos algares do Carvão, também, no local onde hoje estão os depósitos da NATO foi destruído o maior maciço de araucárias dos Açores – talvez até da Europa!
De nada serviu a mobilização da imprensa local contra aquela enormidade. E, apesar de ter sido aparentemente despachada a contendo de quem se batia contra tamanha insensibilidade [“(...) determino o urgente estudo(...)(...) in loco, a fim de se decidir melhor sobre o exposto(...)(...) mesmo que fosse em prejuízo da fazenda nacional...”], a missiva pessoal que Manuel Ferreira, com “veleidade” – é sua a palavra –, sobre o assunto endereçou a Salazar, o despacho emanado pelo ditador mais não foi do que um exercício de hipocrisia política, habitual sempre que o poder é exercido de forma prepotente, uma conduta habitual naqueles que, ainda hoje, adoptam como lema o; “quero, posso e mando”. Foi assim ontem, e, dificilmente, assim, algum dia deixará de ser!

Agora que, finalmente, os interesses de Santa Clara são defendidos por santaclarenses legitimamente eleitos pelos seus conterrâneos, não só se espera que estas barbaridades tenham fim, como a eles se exige que, quando não as puderem travar, pelo menos pela denúncia dos factos não se façam cúmplices das mesmas! Neste sentido, a moção apresentada na última Assembleia Municipal, com o objectivo de evitar mais atrasos na transferência dos “Tanques do Óleo”, foi um bom princípio. Mas só foi boa como primeiro passo; há que fazer mais. Muito Mais!